Nota de pesar pelo falecimento de António Carqueijeiro (Tona)
Updated on 04/08/2026
Faleceu ontem (3 de agosto 2026), inesperadamente, António José Serra Carqueijeiro, de todos conhecido como Tona. Guardião das tradições e das memórias das gentes da ribeira do Sado, era a principal voz e mentor do Rancho Folclórico de Alcácer do Sal, no qual tinha ingressado em criança. O Município de Alcácer do Sal envia os mais sentidos pêsames à família e amigos próximos deste homem que era uma das mais conhecidas figuras da nossa cidade, um verdadeiro símbolo do que é ser alcacerense de corpo e alma.
António Serra Carqueijeiro tinha 79 anos de idade e a história recente da sua, da nossa terra, estavam bem presentes em si, mesmo quando a vida o levou para fora. Assumia-se como descendente das “Saras” que haviam trabalhado no antigo Convento de Nossa Senhora de Aracoeli e teriam guardado os segredos das freiras doceiras.
Assumia-se igualmente como sucessor dos que fundaram a génese do rancho, ao encontrar cultura e arte na forma como as gentes que trabalhavam arduamente o campo até meados do século XX depois se divertiam, nas modas que cantavam e dançavam, quando estavam finalmente libertos da labuta diária.
Conhecia de cor as suas histórias, a herança dos negros do Sado, que para aqui tinham vindo em escravidão, e dos ratinhos, dos avieiros, e de tantos outros, contratados ou malteses, que vieram, de tantas partes de Portugal, para trabalhar de sol a sol nas grandes herdades.
Tudo isso estava presente nos trajes que o Rancho Folclórico de Alcácer do Sal enverga, no ritmo do Ladrão do Sado, nos instrumentos que toca, nas modas que dança e que o Tona cantava há décadas, sempre com convicção, sempre dando o seu cunho pessoal e acrescentando informação, que enriquecia cada atuação do grupo e que ele repetia a quem se mostrava interessado, ao balcão do seu quiosque, onde vendia as notícias do dia e oferecia a história do seu povo a quem o quisesse ouvir.
Com o seu desaparecimento, Alcácer não perde apenas um dos seus. Perde um pouco da sua identidade, do seu sentir, da sua história recente. Cabe a cada um de nós preservar essa memória e transmiti-la às novas gerações, para que perdure, seja conhecido e se preserve esse importante registo do que é ser alcacerense.